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Esse argumento é forçado. Apostolado também é listado como dom na Bíblia, mas até a maioria dos continuístas concorda que não há apóstolos hoje em dia.

Além disso, cessacionistas não acreditam que todos os dons espirituais cessaram ou que não acontecem mais milagres. O que nós acreditamos é nos chamados dons apostólicos/extraordinários (línguas, profecia, dons de milagres/cura) cessaram.
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Além disso, as línguas estranhas pentecostais variam de país para país. As línguas estranhas faladas pelos pentecostais americanos são bem diferentes dessas faladas pelos pentecostais brasileiros. Isso acontece porque ela tem por base o idioma local. Se fossem realmente algo do Espírito Santo, deveria ser algo universal. Às vezes há pequenas variações até mesmo de denominação para denominação. As línguas estranhas da Igreja Maranata são bem diferentes daquelas da Assembleia de Deus.
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Além disso, quando alguém fala em língua estranha, a parte do cérebro associada a comunicação não é ativada. Estudos já comprovaram isso. Ou seja, nem seu próprio cérebro entende aquilo como uma língua real.
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Eu falo em línguas até hoje. Eu já senti todo arrepiado ao falar em línguas. Já fiz profecia falando em línguas que aconteceu exatamente como eu falei.
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"Em 1 Coríntios 14, Paulo fala de mistérios em espírito, gemidos e fala que ninguém entende sem interpretação. Se fosse sempre idioma humano comum, muitas vezes alguém naturalmente entenderia."

Naruto, o seu raciocínio faz sentido à primeira vista, mas o nó dessa questão é desatado quando a gente olha para o público que estava presente em cada uma das situações. A diferença não estava no dom em si, mas na demografia da plateia.

Pensa comigo através de um exemplo prático: imagine que hoje, no ReadAsk, nós organizamos uma videoconferência internacional. Na chamada, temos usuários nativos da Alemanha, do Japão, da Rússia e do Egito. Se o Espírito Santo concede a um brasileiro o dom de falar fluentemente em japonês, o usuário do Japão vai dar um pulo da cadeira e dizer: "Caramba, eu entendi perfeitamente o que ele disse na minha língua materna!". Foi exatamente isso o que aconteceu em Atos 2. Jerusalém estava lotada de judeus piedosos vindos de todas as nações do mundo conhecido (partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, etc.). Havia uma diversidade cultural gigantesca na plateia. Por isso, quando os apóstolos falaram em outros idiomas, sempre tinha alguém de fora que identificava o seu próprio dialeto nativo. O milagre foi na fala, mas a plateia tinha os tradutores naturais ali.

Agora, mude o cenário. Imagine que a mesma videoconferência seja feita, mas dessa vez só entram você, eu, o Flávio Dias e o Sávio Christi. Só tem brasileiro na sala. Se o Espírito Santo te der o dom de falar em mandarim fluente, o que vai acontecer? Eu vou te olhar, o Flávio vai te olhar e ninguém vai entender absolutamente nada. Para nós, que só falamos português, o seu mandarim vai soar como um "mistério em espírito" ou um monte de sílabas sem nexo. O seu dom continua sendo um idioma humano real (mandarim), mas como a plateia mudou e não há nenhum chinês na sala para traduzir, a mensagem se torna inútil para a igreja. É por isso que Paulo diz que, nessa situação, quem fala em línguas fala para Deus e não para os homens, porque "ninguém o entende". Ninguém entende não porque a língua é celestial, mas porque a igreja de Corinto era uma igreja local, sem a diversidade internacional de Jerusalém.

É exatamente por isso que Paulo exige o dom de interpretação em Corinto. No grego, a palavra usada para interpretação é hermeneia, que significa literalmente tradução. Deus não dá um "entendimento místico" de um som sem sentido; Ele capacita alguém a traduzir um idioma real para que os outros crentes locais possam ser edificados com o conteúdo da mensagem. Sem um tradutor na sala para converter o "mandarim" para o "português" (ou o grego da época), o irmão deveria ficar calado. Falar um idioma que ninguém na sala conhece, sem ninguém para traduzir, é o que Paulo chama de fazer mau uso do dom.
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Eu não vou mudar de opinião porque eu falo em línguas até hoje não faz sentido eu deixar de acreditar em algo que vejo funcionando. Seria como não acreditar na eletricidade depois de tomar um choque na tomada.

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