Se o “verdadeiro cristianismo” fosse gnóstico, seria estranho que praticamente todas as comunidades cristãs mais antigas conhecidas, de Roma a Antioquia, tenham preservado algo mais próximo do cristianismo apostólico tradicional, enquanto o “original verdadeiro” desapareceu quase sem deixar estrutura contínua.
Isso não significa que os gnósticos sejam irrelevantes. Eles são extremamente importantes para entender a diversidade do cristianismo antigo; debates teológicos dos primeiros séculos; influências filosóficas helenísticas; formas alternativas de interpretar Jesus.
Mas afirmar que “o cristianismo original era gnóstico e foi apagado” normalmente vai além do que as evidências históricas conseguem demonstrar. Historicamente, o mais provável é que o gnosticismo tenha sido uma releitura posterior do cristianismo, misturada com filosofia platônica, dualismo e misticismo esotérico.