Passar por uma situação em que você percebe que está sendo o centro de uma conversa delicada pode gerar muita vergonha, experiência desagradável. Mas vergonha não é um bom critério para decidir o seu futuro.
Sobre a questão do odor, vale a pena encarar isso como um problema específico que pode ser investigado e resolvido, não como uma definição de quem você é. Muitas causas têm solução, e buscar ajuda quando necessário é um sinal de responsabilidade, não de fracasso.
Quanto à comunicação, o fato de ela ainda não estar como você gostaria não significa que você não possa ser um bom fonoaudiólogo. Pelo contrário: muitos profissionais escolhem justamente a área que dialoga com suas próprias dificuldades, porque entendem, na prática, o que seus futuros pacientes enfrentam. Isso não tira sua credibilidade; pode até aumentar sua empatia.
Antes de pensar em desistir do curso, pergunte-se: você deixou de gostar da Fonoaudiologia ou está querendo fugir da dor e da vergonha que sente agora? Essas são coisas diferentes. Decisões importantes merecem ser tomadas quando a emoção estiver menos intensa.
Se, depois de refletir com calma, você concluir que Letras ou Farmácia combinam mais com seus interesses e objetivos, tudo bem, mude de caminho. Mas não faça essa escolha apenas porque hoje você está se sentindo insuficiente. Um momento difícil não precisa determinar toda a sua trajetória.
Espero que consiga enxergar que um episódio constrangedor ou uma dificuldade atual não definem o valor dela nem a capacidade de se tornar um bom profissional.
Grande abraço.