Se você assistiu ao filme Drácula de Bram Stoker (1992), provavelmente se lembra daquela atmosfera de romance entre o Conde e Mina Harker. Naquela versão, Mina é a reencarnação de Elisabeta, o antigo amor do vampiro, e toda a sua jornada até a Inglaterra é movida por uma paixão de séculos.
É uma belíssima história de amor... mas ela simplesmente não existe no livro original de Bram Stoker.
Apesar de o filme levar o nome do autor no título, a relação entre Drácula e Mina na obra de 1897 é completamente diferente. O Drácula do livro é apenas um monstro frio, calculista e megalomaníaco. Ele não ama Mina ou qualquer outra pessoa, nem viaja para a Inglaterra por paixão. Também não existe aquela história de paixão do passado ou de reencarnação. Seu objetivo é apenas se estabelecer em Londres para expandir sua influência e espalhar o vampirismo pela Inglaterra, criando novas vítimas e ampliando seu domínio.
No livro, Drácula não vê Mina como a alma gêmea perdida. Ele a enxerga primeiro como uma presa e, depois, como uma ferramenta de vingança contra o grupo de Van Helsing e Jonathan Harker, que estavam atrapalhando seus planos de comprar propriedades em Londres.
O famoso episódio em que ele força Mina a beber o sangue de seu próprio peito não é um pacto de amor eterno consentido como mostrado no filme. É, ao invés disso, uma violência psicológica e física. Ele faz isso para criar um elo telepático forçado e transformá-la em sua escrava de sangue. Seu objetivo com isso era usá-la para monitorar os passos dos caçadores. É uma relação de predador e vítima, marcada pelo terror e pela repulsa de Mina, que luta desesperadamente contra a corrupção da sua alma até o fim. Ela se torna alvo de Drácula porque faz parte do círculo de pessoas que está tentando destruí-lo.
Coppola humanizou um pouco o vampiro para criar um romance, mas o Drácula real de Bram Stoker é muito mais cruel. O filme de 1992 é até hoje a adaptação mais popular já feita do livro, mas nem de longe é a mais fiel. Até hoje o Drácula que mais se aproxima da versão do livro é o do filme de 1977 produzido pela BBC, dirigido por Philip Saville.
Mas e aí? Vocês preferem a versão monstro estratégico do livro ou a versão apaixonada de Coppola? Comentem aí ^^