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Um dos indicadores de autenticidade usados pelos historiadores para estabelecer que uma narrativa Um dos indicadores de autenticidade usados pelos historiadores para estabelecer que uma narrativa neotestamentária é genuína é chamado "embaraço". Os estudiosos partem do princípio de que um autor inventando ou distorcendo uma narrativa faria o possível para tornar a história o mais coerente e convincente possível. Se há detalhes embaraçosos ou contraproducentes para os propósitos do autor, a explicação é que as coisas realmente aconteceram daquele jeito e a narrativa não foi inventada. Eis um exemplo de uma narrativa dos Evangelhos com diversos detalhes do tipo:

O endemoniado geraseno (Mc 5:1-20)

"Eles chegaram ao outro lado do mar, à terra dos gerasenos. Assim que Jesus saiu do barco, um homem possuído por um espírito imundo veio ao seu encontro, vindo dos túmulos. Ele vivia entre os túmulos, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes. Muitas vezes fora preso com grilhões e correntes, mas arrebentava as correntes e quebrava os grilhões. Ninguém tinha força para dominá-lo. Dia e noite, entre os túmulos e nos montes, ele gritava e se feria com pedras. Quando viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele. Clamando em alta voz, disse: "Que tens tu comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Eu te conjuro por Deus: não me atormentes!" Pois Jesus lhe dizia: "Saia deste homem, espírito imundo!" Jesus lhe perguntou: "Qual é o teu nome?" Ele respondeu: "Meu nome é Legião, porque somos muitos." E suplicou-lhe insistentemente que não os expulsasse daquela região. Ora, uma grande manada de porcos estava pastando na encosta, suplicaram-lhe: "Manda-nos aos porcos; deixa-nos entrar neles". Ele permitiu. Então, os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos, e a manada, de cerca de dois mil animais, precipitou-se pela encosta íngreme para dentro do mar e se afogou.

Os pastores fugiram e contaram o ocorrido na cidade e nos campos. E as pessoas vieram para ver o que havia acontecido. E vieram até Jesus e viram o homem endemoninhado, aquele que tinha tido a legião, sentado ali, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo. E aqueles que tinham visto contaram-lhes o que havia acontecido ao endemoninhado e aos porcos. E começaram a suplicar a Jesus que se retirasse da região deles. Quando ele estava entrando no barco, o homem que havia sido endemoninhado suplicou-lhe que o deixasse ir com ele. E ele não o permitiu, mas disse-lhe: "Vá para casa, para os seus amigos, e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você". E ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus tinha feito por ele, e todos se maravilharam."

Vários detalhes embaraçosos estão presentes nessa narrativa. Entre eles:

1) A resposta do demônio ("Eu te conjuro por Deus: não me atormentes!") e o fato dele não ter saído do homem imediatamente, mesmo após a primeira ordem de Jesus, mostra que ele foi capaz de resistir a ninguém menos que o Filho de Deus;

2) Apesar do exorcismo ter sido bem-sucedido, os resultados para a comunidade foram devastadores, pois a fonte do sustento de todos foi destruída. Junto com isso, está a resposta da comunidade a Jesus, pedindo para que ele fosse embora, o que sugere que seus atos podem ter causado mais mal do que bem para os moradores daquela região;

3) Há a presença de uma "coincidência não-planejada", que é como chamamos um detalhe estranho ou inexplicável à primeira vista, mas for posteriormente explicada involuntariamente por outro relato independente de testemunha ocular do mesmo evento ou por algum fato subjacente que é posteriormente revelado por outra fonte independente que não foi deliberadamente criada para "corrigir" qualquer tensão provocada pela testemunha inicial. O detalhe nesse caso está no fato de o texto mencionar uma criação de porcos em uma região próxima ao mar da Galileia. Sabemos que esses animais eram considerados impuros pelo judeus. Se Marcos estivesse inventando uma história judaica, por que falaria de algo assim? A explicação é encontrada em um outro escritor da mesma época: Josefo relata que “Gaza, Gadara e Hipos... eram cidades gregas, que César separou de seu governo e adicionou à província da Síria.” O fato de César ter anexado essas cidades, todas parte da região próxima ao Mar da Galileia onde o incidente ocorreu, implica que a comunidade teria se tornado cada vez mais secularizada e teria políticas mais flexíveis em relação à criação de gado;

4) O demônio identifica Jesus como "Filho do Deus Altíssimo". Sua confissão está à margem da tradição do Novo Testamento e aponta para a improbabilidade de que Marcos ou a igreja primitiva precisassem introduzi-la na defesa do demônio, portanto, podemos ter razoável segurança de que esse título foi incluído na narrativa original do evento, e não uma invenção ou distorção do evangelista;

5) Esse "tormento" que o demônio teme é visto em Marcos diretamente relacionado a ser expulso "do país" e não a qualquer "tormento" escatológico que é posteriormente indicado por Mateus e Lucas (Mt 8.29; Lc 8.31; cf. Ap 20.10). O diálogo intacto em Marcos mostra que a comunidade cristã posterior não estava interessada em esclarecer a que precisamente o "tormento" se refere. Essa falta de esclarecimento torna a versão de Marcos provavelmente um reflexo do original por não ter sido atualizada para se adequar a motivos teológicos (escatológicos) posteriores.

Por esses e outros motivos, há uma boa histórica favorável à autenticidade desse relato de Marcos. é genuína é chamado "embaraço". Os estudiosos partem do princípio de que um autor inventando ou distorcendo uma narrativa faria o possível para tornar a história o mais coerente e convincente possível. Se há detalhes embaraçosos ou contraproducentes para os propósitos do autor, a explicação é que as coisas realmente aconteceram daquele jeito e a narrativa não foi inventada. Eis um exemplo de uma narrativa dos Evangelhos com diversos detalhes do tipo:

O endemoniado geraseno (Mc 5:1-20)

"Eles chegaram ao outro lado do mar, à terra dos gerasenos. Assim que Jesus saiu do barco, um homem possuído por um espírito imundo veio ao seu encontro, vindo dos túmulos. Ele vivia entre os túmulos, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes. Muitas vezes fora preso com grilhões e correntes, mas arrebentava as correntes e quebrava os grilhões. Ninguém tinha força para dominá-lo. Dia e noite, entre os túmulos e nos montes, ele gritava e se feria com pedras. Quando viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele. Clamando em alta voz, disse: "Que tens tu comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Eu te conjuro por Deus: não me atormentes!" Pois Jesus lhe dizia: "Saia deste homem, espírito imundo!" Jesus lhe perguntou: "Qual é o teu nome?" Ele respondeu: "Meu nome é Legião, porque somos muitos." E suplicou-lhe insistentemente que não os expulsasse daquela região. Ora, uma grande manada de porcos estava pastando na encosta, suplicaram-lhe: "Manda-nos aos porcos; deixa-nos entrar neles". Ele permitiu. Então, os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos, e a manada, de cerca de dois mil animais, precipitou-se pela encosta íngreme para dentro do mar e se afogou.

Os pastores fugiram e contaram o ocorrido na cidade e nos campos. E as pessoas vieram para ver o que havia acontecido. E vieram até Jesus e viram o homem endemoninhado, aquele que tinha tido a legião, sentado ali, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo. E aqueles que tinham visto contaram-lhes o que havia acontecido ao endemoninhado e aos porcos. E começaram a suplicar a Jesus que se retirasse da região deles. Quando ele estava entrando no barco, o homem que havia sido endemoninhado suplicou-lhe que o deixasse ir com ele. E ele não o permitiu, mas disse-lhe: "Vá para casa, para os seus amigos, e conte-lhes tudo o que o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você". E ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus tinha feito por ele, e todos se maravilharam."

Vários detalhes embaraçosos estão presentes nessa narrativa. Entre eles:

1) A resposta do demônio ("Eu te conjuro por Deus: não me atormentes!") e o fato dele não ter saído do homem imediatamente, mesmo após a primeira ordem de Jesus, mostra que ele foi capaz de resistir a ninguém menos que o Filho de Deus;

2) Apesar do exorcismo ter sido bem-sucedido, os resultados para a comunidade foram devastadores, pois a fonte do sustento de todos foi destruída. Junto com isso, está a resposta da comunidade a Jesus, pedindo para que ele fosse embora, o que sugere que seus atos podem ter causado mais mal do que bem para os moradores daquela região;

3) Há a presença de uma "coincidência não-planejada", que é como chamamos um detalhe estranho ou inexplicável à primeira vista, mas for posteriormente explicada involuntariamente por outro relato independente de testemunha ocular do mesmo evento ou por algum fato subjacente que é posteriormente revelado por outra fonte independente que não foi deliberadamente criada para "corrigir" qualquer tensão provocada pela testemunha inicial. O detalhe nesse caso está no fato de o texto mencionar uma criação de porcos em uma região próxima ao mar da Galileia. Sabemos que esses animais eram considerados impuros pelo judeus. Se Marcos estivesse inventando uma história judaica, por que falaria de algo assim? A explicação é encontrada em um outro escritor da mesma época: Josefo relata que “Gaza, Gadara e Hipos... eram cidades gregas, que César separou de seu governo e adicionou à província da Síria.” O fato de César ter anexado essas cidades, todas parte da região próxima ao Mar da Galileia onde o incidente ocorreu, implica que a comunidade teria se tornado cada vez mais secularizada e teria políticas mais flexíveis em relação à criação de gado;

4) O demônio identifica Jesus como "Filho do Deus Altíssimo". Sua confissão está à margem da tradição do Novo Testamento e aponta para a improbabilidade de que Marcos ou a igreja primitiva precisassem introduzi-la na defesa do demônio, portanto, podemos ter razoável segurança de que esse título foi incluído na narrativa original do evento, e não uma invenção ou distorção do evangelista;

5) Esse "tormento" que o demônio teme é visto em Marcos diretamente relacionado a ser expulso "do país" e não a qualquer "tormento" escatológico que é posteriormente indicado por Mateus e Lucas (Mt 8.29; Lc 8.31; cf. Ap 20.10). O diálogo intacto em Marcos mostra que a comunidade cristã posterior não estava interessada em esclarecer a que precisamente o "tormento" se refere. Essa falta de esclarecimento torna a versão de Marcos provavelmente um reflexo do original por não ter sido atualizada para se adequar a motivos teológicos (escatológicos) posteriores.

Por esses e outros motivos, há uma boa histórica favorável à autenticidade desse relato de Marcos.

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Melhor resposta
Oi, boa noite, Olho Escarlate, tudo bom?

Pois é, mano... bem bacana isso aí! Está ligado?

Abração, fera... e cuide-se! Viu só?

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