Estou lendo a sistemática do Craig e cheguei em uma parte na qual ele fala sobre os chamados argumentos pragmáticos para o teísmo. São argumentos que visam demonstrar, mesmo na ausência de provas da existência de Deus, ainda é mais racional crer nele do que eu não crer.
Esses argumentos são divididos em dois grupos: argumentos dependentes da verdade do teísmo e argumentos independentes da verdade do teísmo.
Um exemplo de argumento pragmático dependente da verdade do teísmo é a Aposta de Pascal, a respeito da qual eu já falei aqui:
https://readask.online/index.php/230812/o-que-voce-acha-da-aposta-de-pascal?show=230812#q230812
Por outro lado, um exemplo de argumento pragmático independente da verdade do teísmo é a Vontade de Acreditar de James.
É um raciocínio que foi formulado por William James. Ele dizia que às vezes estamos justificados em acreditar em algo mesmo na ausência de evidências para sua verdade. Podemos recorrer a considerações pragmáticas para justificar a crença, se ela for uma uma escolha que é viva (que apresenta uma crença à qual posso dar um assentimento genuíno), importante (se muita coisa depende dela, se ela apresenta uma oportunidade rara e se suas consequências são irreversíveis) e forçada (se não houver a opção de permanecer indiferente, ou seja, se ficar em cima do muro for o equivalente, na prática, a rejeitar a crença).
Ele então prosseguiu argumentando, com base em seus estudos, que os crentes religiosos eram mais felizes, equilibrados e virtuosos que os descrentes. Eu estou no posteriores reforçaram esse argumento com um viés cristão e bem fundamentado sociologicamente, demonstrando os benefícios da crença, prática e envolvimento cristão; isso para não falar dos benefícios do cristianismo sobre a sociedade ao longo da história.
Portanto, se a pessoa considerar que seja pelo menos tão provável que o cristianismo seja verdadeiro quanto falso (chance de 50% de ser verdadeiro), e se considerar o cristianismo possivelmente mais provável que qualquer crença concorrente, ela estará justificada em investir nessa crença mesmo na ausência de qualquer evidência positiva a favor dela.
Fontes:
CRAIG, William Lane. Systematic Philosophical Theology: Volume 1 – Prolegomena, On Scripture, On Faith. Wiley-Blackwell, 2025.
HERTZKE, Allen D.; SHAH, Timothy Samuel (Ed.). Christianity and freedom. Cambridge: Cambridge University Press, 2016. v. 1.