Consequência de consumirmos cultura americana...
Existe um conceito introduzido por Joseph Nye que se chama soft power, que é justamente a capacidade de obter resultados por atração, ao invés de coerção e/ou pagamento. Ao invés de obrigar o outro a fazer o que você quer, você os convence... Cultura e valores políticos são formas de exercer soft power, poder simbólico e capital cultural e político. Particularmente falando dos EUA, eles nos exportam o American way of life, que é um ideal de vida.
Hollywood, música, televisão, publicidade, marcas, moda, esportes, redes sociais, streaming... Tudo isso contribui para construir e reproduzir uma imagem idealizada dos EUA baseada em liberdade individual, consumo, sucesso econômico, empreendedorismo, carros, subúrbios, iPhone, Nike, Disney, McDonald’s, NBA, Netflix, colleges, inglês, e etc. Você toma os EUA como referência sem que eles precisem fazer propaganda explícita.
O que a princípio parece apenas vira-latismo é, na realidade, produto de uma estrutura histórica (e invisível) de influência cultural.
Essa influência é tão eficaz que, politicamente, quando alguém como Donald Trump anuncia tarifaços contra o Brasil e promessas de intervenção, uma parcela da população brasileira vai interpretar como algo positivo... Vão procurar justificar a ação americana ou tratar a pressão como espécie de “correção” que o Brasil merece. E que o problema é se afastar desse ideal que foi construído e enraizado.