Já responderam aqui... Homens realizaram a maior parte das atrocidades porque historicamente ocuparam posições de poder.
Mas vou citar uma obra de ficção que você já deve ter ouvido falar ou não, que é O Conto da Aia (1985) de Margaret Atwood e que foi adaptada para uma série pela Hulu, e está disponível em plataformas como Disney+ e Netflix.

Na obra, somos introduzidos a um governo denominado República de Gilead... Onde o poder institucional é predominantemente masculino, e Comandantes controlam o Estado, economia, sexualidade e reprodução. Baseia-se na observação histórica de que homens por muito tempo tiveram maior acesso às posições institucionais de poder como poder político, militar e econômico. Eles tinham meios para praticar atrocidades em escalas maiores em comparação às mulheres.
E em Gilead, as mulheres possuem uma participação interessante porque, ainda que o sistema seja predominantemente masculina, algumas mulheres reproduzem o sistema de dominação sem pertencerem ao grupo dominante.
Uma das personagens mais marcantes tanto no livro quanto na série é Serena Joy, esposa do Comandante Fred. Ela é uma personagem que participa ativamente na construção de Gilead... Ela contribuiu na legitimação da visão conservadora e religiosa que posteriormente se torna Gilead. Embora ela mesma perca direitos quando Gilead se estabelece, ela ainda mantém uma posição privilegiada naquela estrutura e exerce poder sobre outras mulheres... Principalmente sobre Offred, que é a protagonista. Na série, Serena Joy é interpretada pela Yvonne Strahovski.

Também temos as Tias, que são outras mulheres que ocupam uma posição institucional de Gilead no treinamento, doutrinação e disciplina das Aias... Que, caso ainda não esteja claro quem são as aias, são as mulheres selecionadas para a atividade de reprodução, baseando-se na ideia bíblica de que Raquel ofereceu sua serva Bila para seu marido Jacó. Na série de televisão, a personagem Tia Lydia é interpretada por Ann Dowd.

Perceba como Gilead permanece tendo o sistema controlado por Comandantes, que são figuras masculinas... Mas eles podem delegar funções que contribuem para que pessoas subordinadas ao regime também sejam agentes de manutenção da violência que as oprime.
Pessoas da vida real como Mary Tudor certamente não podem serem reduzidas a “vítimas do patriarcado”. Mas a maioria delas ainda estava inserida dentro de uma estrutura de poder masculina... Mary Tudor estava no topo da hierarquia política da época por ser rainha e utilizou de seu poder institucional para ordenar perseguições e execuções contra protestantes e dissidentes políticos. Mas a dinastia Tudor, a monarquia britânica, o aparato militar, a Igreja, a aristocracia, as instituições jurídicas, e tudo eram e ainda são estruturas profundamente marcadas por relações de poder masculinas.