Simples:
Além da maioria dos conservadores se religiosa, e muitas das religiões tradicionais, como o cristianismo, condenarem o divórcio por ser algo que Deus não aprova, existe também uma razão filosófica:
O casamento não passa simplesmente por emoções, mas é uma união orgânica na qual os cônjuges são considerados de forma simbólica como um único corpo (por isso o casamento é consumado no coito e ele tradicionalmente sempre pôde ser anulado quando não era consumado).
Aí entra a questão: o casamento deve ser permanente e duradouro, porque estando unidos organicamente, como "uma só carne", os cônjuges devem ter, por compromisso, a unidade exclusiva e vitalícia que as partes de um corpo orgânico saudável têm por natureza.
Além disso, o casamento é ordenada para o bem abrangente de criar novos membros da família humana (filhos). É uma tarefa aberta que exige a coordenação de toda a sua vida, o que, por sua vez, exige comprometimento permanente. Portanto, as regras do casamento criam convenientemente a estabilidade e a harmonia adequadas à criação dos filhos. A ligação intrínseca entre casamento e filhos reforça essa razão pela qual os cônjuges têm de permanecerem juntos e fiéis por toda a vida.
Talvez um argumento filosófico como esse não seja convincente para você, então vou trazer alguns fatos complementares das ciências sociais para te fazer refletir:
1) Divórcio é pior para as próprias pessoas que se separam
"De modo geral, em comparação com indivíduos casados, os divorciados apresentaram saúde autodeclarada significativamente pior (OR = 1,20, [1,08-1,33]), experimentaram mais sintomas físicos (OR = 1,34, [1,17-1,53]) e tiveram maior risco de diabetes (OR = 1,18 [1,05-1,33]), patologias articulares (OR = 1,24, [1,14-1,34]), doenças cardiovasculares (OR = 1,24, [1,09-1,41]) e cerebrovasculares (OR = 1,31, [1,14-1,51]) e doenças sexualmente transmissíveis (OR = 2,48, [1,32-4,64]). [...] Nossa meta-análise mostra que os divorciados apresentam maior risco de certas patologias, sendo as doenças sexualmente transmissíveis um risco particularmente associado ao pós-divórcio."
PELLÓN-ELEXPURU, Inés; VAN DIJK, Rianne; VAN DER VALK, Inge; MARTÍNEZ-PAMPLIEGA, Ana; MOLLEDA, Asier; CORMENZANA, Susana. Divorce and physical health: a three-level meta-analysis. Social Science & Medicine, v. 352, art. 117005, 2024. DOI: 10.1016/j.socscimed.2024.117005.
2) Divórcio é terrível para os filhos (e isso é algo que quem que vivenciou um divórcio dos pais já sabe muito bem)
"as regulamentações de divórcio unilateral aumentam significativamente a incidência de divórcio. Adultos que foram expostos a regulamentações de divórcio unilateral na infância têm menor escolaridade, renda familiar mais baixa, casam-se mais cedo, mas se separam com mais frequência, e apresentam maior probabilidade de suicídio na vida adulta."
GRUBER, Jonathan. Is making divorce easier bad for children? The long-run implications of unilateral divorce. Journal of Labor Economics, v. 22, n. 4, p. 799-833, 2004. DOI: 10.1086/423155.
Mais estudos nos comentários.
E como você mesmo disse, o foco do casamento é o amor. Essa é justamente mais uma das razões pelas quais o divórcio não deveria acontecer. O amor não é um mero sentimento que pode mudar de uma hora para outra, mas é a escolha de se entregar a outra pessoa e até se sacrificar por ela quando for necessário. Quem ama não deixa de amar, independentemente de as circunstâncias serem boas ou ruins. Assim como a sua mãe não deixa de te amar mesmo se ela ficar nervosa com você ou se você a decepcionar, o cônjuge que ama não deixa de amar independentemente de qualquer coisa. Se uma pessoa diz que o amor acabou no casamento, é porque na verdade nunca houve amor, mas apenas emoção e excitação.