Não simpatizo com o Islã enquanto religião. Mas vamos a alguns pontos...
Hoje, muçulmanos representam de 5 até 8% da população do continente europeu, sendo que eles estão mais concentrados em países como França, Alemanha e Reino Unido. Mesmo com imigração, o crescimento deles é gradual... Em 2050, projeções apontam que eles devem ser entre 11 até 14% da população europeia, sendo que em alguns países como a Suécia eles podem chegar a até 30%. Principalmente por uma questão de natalidade, já que mulheres muçulmanas têm média de filhos superior em comparação às mulheres europeias.

Isso é uma "grande substituição", na sua opinião? Na minha não é, sendo sincero. Grande substituição foi o que os europeus fizeram aqui nas Américas... Antes da colonização tínhamos de 3 a 5 milhões de indígenas, e atualmente são apenas 1,7 milhão. Os que não foram exterminados, foram assimilados culturalmente pelos europeus, a ponto de atualmente falarem uma língua europeia e seguirem religião cristã que não fazia parte da tradição original deles. E aqui nas Américas não houve um processo de imigração comum apenas, mas um verdadeiro projeto colonial de ocupação administrativa e militar. Então, assim... Se realmente formos traçar uma linha na história de quando "pode" e quando "não pode", vai ser complicado...
Dá para ignorar os conflitos culturais que esses imigrantes trazem? Também não dá... Países com forte tradição laica como a França enfrentam desafios com relação ao uso de símbolos religiosos, como por exemplo o hijab, que por si só já envolve um debate complexo de que se o hijab é apenas um marcador inofensivo ou símbolo de opressão feminina, mas são outros quinhentos. Além de questões que envolvem costumes como diferenças no papel da mulher, sexualidade e normas familiares que aparecem em militantes conservadores, além de segregação (bairros que são totalmente islâmicos em cidades como Paris e Londres) e criminalidade (existe relação direta entre as duas coisas).
Todavia, ao mesmo tempo, existem descendentes de muçulmanos de segunda e de terceira geração. E aí que a situação pode tornar-se sensível... Porque esses grupos já são integrados, muito mais integrados à sociedade secular europeia em comparação aos imigrantes e/ou descendentes de primeira geração. São pessoas que falam língua(s) europeia(s), têm escolaridade, participam do mercado de trabalho (e o assunto econômico também é relevante, porque a mão-de-obra é importante para esses países europeus, e eles não os aceitaram só porque são bonzinhos) e se aproximam, ainda que com diferenças, em temas como democracia, educação e igualdade de gênero. E existe até um aumento de registros de casamentos mistos, o que indica que esses descendentes de imigrantes estão sendo assimilados. Mas não exclui situações de extremismo... Por conta de desigualdade social e/ou econômica e até mesmo de eventos políticos internacionais como os que estão acontecendo nesse momento entre EUA e Irã desperta crise de identidade que leva, sim, jovens ao extremismo, seja religioso ou nacionalista. E aí se manifesta na forma de terrorismo.
Portanto, é complexo...
Ao mesmo tempo que existe tendência de melhora estrutural de assimilação dos descendentes de imigrantes ao decorrer das gerações, essas tensões pontuais demonstram que tal assimilação pode ser frágil e impactada por momentos de polarização, inclusive por parte de setores conservadores e extrema-direita da Europa.
Particularmente falando, acredito que a República Popular da China apresenta um projeto pragmático de introdução e desradicalização da população islâmica.