Porque, de acordo com Pierre Bourdieu, a religião faz parte de um campo: um espaço social onde agentes (templos, líderes e fiéis) disputam por poder político, econômico e principalmente simbólico — que é o poder de definir o que é verdadeiro, legítimo e moral. Então, cada identidade religiosa tenta impor sua visão como legítima, acumular autoridade e preservar sua posição social.
Então, na prática, quando as pessoas brigam por religião, elas estão brigando por quatro coisas: monopólio da verdade (quem tem esse monopólio pode ditar o que é certo e errado, puro e impuro, sagrado e profano); capital simbólico (prestígio, autoridade e reconhecimento, e conflitos surgem quando esse capital é disputado ou ameaçado); reprodução social (hierarquias, costumes e papéis, e surgem conflitos quando tais estruturas são questionadas); e habitus (porque as pessoas nem sempre “escolhem” a religião que seguem de forma livre e racional, mas por disposições internalizadas desde a infância, então é condicionada a pensar que segue o que é “natural” e “óbvio”, e essa visão é ameaçada quando entra em choque com outras visões).