Já respondi muitas, mas muitas perguntas sobre esse tema...
A verdade é que o sionismo é um projeto político que surgiu no século XIX por judeus europeus que sofriam perseguição em reinos cristãos, e que ganhou força após o Holocausto — que aconteceu num país de maioria cristã — e assentou-se num território habitado por palestinos, e que, apesar de serem predominantemente muçulmanos, a Palestina é uma região com comunidade cristã, principalmente católicos e ortodoxos, significativa e que reduziu bastante desde a ocupação israelense e a ascensão do Hamas. Até hoje a maioria dos cristãos israelenses são de etnia árabe. E também é fato que o Estado de Israel possui um reconhecimento limitado a respeito de religiões cristãs... E antes que os pedantes do site digam que é mentira, não é que essas igrejas não possam existir fisicamente, mas elas não são reconhecidas enquanto comunidades religiosas históricas, e nenhuma igreja protestante com exceção da Igreja Evangélica Episcopal é reconhecida institucionalmente.
E aí vem a dúvida... Por que é que os evangélicos principalmente nutrem tanto amor por Israel?
A primeira resposta é o dispensacionalismo, que é uma corrente teológica que começou com John Nelson Darby e a publicação da Bíblia de Estudo Scofield, e interpreta Israel como termômetro do Apocalipse. É uma característica de denominações de caráter pentecostal e/ou neopentecostal... Existe uma interpretação literal dos textos bíblicos que faz com que tendam a espiritualizar a disputa nacionalista e geopolítica de Israel e Palestina, como parte da guerra eterna entre Esaú e Jacó e coisas desse tipo. Portanto, eles torcem por Israel... Ainda que o Estado de Israel moderna não seja continuidade direta dos reinos de Israel e Judá.
O segundo motivo é o supersessionismo ou teologia da substituição... É uma visão religiosa em particular de que o judaísmo é uma religião foi “superado” pelo cristianismo. A antiga aliança entre Deus e os judeus foi desfeita a partir do momento em que negaram Jesus enquanto Messias. Assim, os cristãos passariam a serem os “novos judeus” e, por consequência lógica, o novo povo escolhido.
O terceiro é o filossemitismo, que é apropriação de elementos da religião judaica. A princípio, surge apenas como admiração inofensiva... Mas na prática o que realmente acontece em algumas denominações é a apropriação da identidade judaica, de modo que alguns evangélicos realmente acreditam serem judeus.


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Por último, mas não menos importante... Porque também existe um projeto geopolítico. O boom do protestantismo no Brasil deu-se principalmente a partir de missões americanas, e a simpatia por Israel também recebeu um caráter identitário... Além de demonstrar posicionamento de identidade religiosa, também tornou-se um demarcador de posição política e alinhamento a valores conservadores da direita e extrema-direita americana. E Israel também explora essa simpatia para capturar apoio político nas instituições de países como EUA e Brasil e gerar receita em turismo religioso — a nível de informação, brasileiros são o segundo maior grupo turístico em Israel atrás apenas dos americanos.