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O cheiro forte de unguento de carvalho e o crepitar abafado da lareira ancoravam os sentidos de volta à realidade, longe do asfalto quente e das telas piscantes.

— Que bom que você acordou. Já estávamos preocupados — a voz de Lyra soou trêmula, o alívio evidente no modo como ela largou a tigela de barro sobre a bancada de pinho. — Você ardia em febre há cinco dias. Delirava sem parar.

Lucas piscou contra a claridade fraca que entrava pelas frestas da janela de madeira rústica, sentindo o corpo fraco, os músculos atrofiados e a pele banhada em suor frio.

— Eu... onde estou? — a voz saiu como um sopro áspero, arranhando a garganta.

Lyra limpou as mãos no avental de linho grosseiro, encarando-o com uma mistura de compaixão e cautela nas pupilas âmbar.

— Na estalagem da Colina Rota, na Orla dos Reinos. Você caiu assim que cruzamos a porteira, despencando da sela. Passou dias inteiros falando coisas sem nexo... sobre torres de vidro gigantes, caixas luminosas que sugavam a energia mental e física das pessoas, e um lugar onde o tempo era vendido por moedas enquanto todos corriam contra o relógio em jornadas exaustivas apenas para sobreviver. Falava de uma violência constante, nas ruas, nas notícias, em todos os lugares.

O silêncio na pequena habitação de pedra pesou, cortado apenas pelo vento frio que uivava lá fora, arrastando o cheiro de pinheiros e terra molhada — um ar puro e implacável, bem distante daquele mundo sufocante que sua mente exausta insistia em deixar para trás.

2 Respostas

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Ih rapaz , tá parecendo os contos do crente de Taubaté mas com mais categoria..
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Meus conteúdos de contos terão sempre conteúdo positivo.
por (561K pontos)
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Sim tu tem categoria.
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Minha primeira reação seria achar que ainda estava delirando. Depois de perceber que aquilo era real, acho que o susto daria lugar à curiosidade. Um mundo sem trânsito, telas, notificações e aquela eterna sensação de estar correndo contra o relógio? Eu perguntaria onde ficava minha casa, como se ganhava a vida por ali e se havia uma biblioteca nas proximidades.

Só teria uma preocupação: descobrir se fui parar numa fantasia medieval tranquila ou numa daquelas em que, depois de cinco páginas, aparece um dragão querendo incendiar a estalagem. kkkkkkkkkk

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